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Seguindo a procissão do Senhor Morto!

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27 de março de 2018
Por Nelson Manzatto

É Sexta-Feira Santa, dia da procissão de enterro do Cristo Morto pelas ruas da Vila Arens... e me recordei do final da década de 1950 ou início da seguinte, quando, ainda criança e com meus irmãos, seguíamos esta mesma ação religiosa.

Naquela época, a procissão saía pela rua Emile Pilon, subia a Fernando Arens, tendo à frente os integrantes da Irmandade do Santíssimo, vestidos com jaleco vermelho, carregando velas, enquanto seu Vicente Rossi, o velho foieiro, pai do futuro cardeal Agnelo Rossi, levava a cruz.

As crianças seguiam à frente da procissão, do início até o andor do Senhor Morto, sempre com duas filas, no canto das ruas. À frente do andor, que era carregado também pelos Irmãos do Santíssimo, auxiliados por Congregados Marianos, seguiam três moças vestidas de preto e com véus da mesma cor, cobrindo o rosto e representando Maria, mãe de Jesus, Maria de Cléofas e Maria Madalena. Ao lado, seguia João Evangelista, um rapaz que levava em suas mãos uma pena de escrever e uma tabuleta.

Ainda tinha Verônica que, naquela época cantava em latim... “O vos omnes qui transitis per viam... attendite ET videte si est dolor sicut dolor meus”.

Nós, crianças, acompanhávamos atentos ao cântico, enquanto ela desenrolava o pano, mostrando o rosto ensanguentado de Jesus e que ficara marcado ali.

A procissão seguia pela Fernando Arens, com dois senhores da Congregação Mariana, na frente, interrompendo o trânsito para que pudéssemos seguir em frente. A procissão passava pelas casas do Japi e ia descer a rua Senador Bento Pereira Bueno, próximo à minha casa e um quilômetro longe da igreja da Vila Arens. Ali, por conta do horário e do frio que chega a fazer na Semana Santa, deixávamos a procissão, corríamos colocar calça de pijama por baixo da roupa de missa – quando não tínhamos saído de casa com ela – para voltarmos até a esquina à espera de passar o corpo do Senhor Morto e o andor de Nossa Senhora das Dores.

Nesta rua, já na esquina com a avenida São Paulo, víamos a Verônica cantar mais uma vez e íamos dormir felizes, apesar da recomendação de nossa mãe que o momento era de tristeza e dor. Mas criança é sempre criança!

Nelson Manzatto é escritor e jornalista
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