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Sônia Cintra

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25 de fevereiro de 2018
Por Guaraci Alvarenga

Morreu Sônia Cintra, talvez a mais brilhante poetisa que conheci, pelo brilho do seu talento e pela torrente maravilhosa de palavras e frases, sempre envolvente e apaixonante, sobre as coisas da cidade.

Basta um olhar sobre “Cantares do Japy” no seu doce canto para a Serra do Japy e dali extrair: “ao longe/a névoa/se desprende/da mata/revelando/um leque/ de colinas verdejantes”.

Conheci, ao longo da vida, pouquíssima gente com tanto ao amor e disposição pela literatura. Sônia estava sempre discutindo assuntos ligados à cultura. Cercada sempre de amigos, de versos e prosa, ela sabia do que falava, além de ter uma rapidez de argumento, que ultrapassava os mais letrados.

Tinha as mãos pequenas, como as de uma criança. Com elas abraçou seu mundo rico de ideias e sensibilidades. Acariciou a esperança.

Não a conhecia quando escrevi uma crônica sobre minha mãe. No outro dia, na redação do jornal, sobre a mesa do editor, a mensagem: “Belíssima a crônica 'Partiu e não me deixou' de Guaraci Alvarenga, publicada. Um texto sutil e agradável de ler, que, longe de repassar aos ombros do leitor a pena da ausência materna, consola-nos com o partilhar do que melhor representa sua eterna presença: bom exemplo e afeto. Parabéns ao autor e ao jornal!"

Ao referir palavras tão carinhosas me desarmou para sempre. Foi minha madrinha na indicação de meu nome para a Academia de Letras, onde sua presença iluminava todos os cantos da sala. Caímos num abraço de uma terna amizade. E que aprumo ético demonstrava com todos que se iniciavam em escrever livros. Estimulava e aconselhava a todos sempre, sem que as palavras tivessem travo de professora, mas sempre de amiga opinando com humildade e simplicidade.

Vencedora de vários prêmios de literatura, um internacional, o 3º Prêmio Varal do Brasil de Literatura em 2015, com a poesia "Semáforo", mas nenhum deles lhe reservou maior felicidade ao receber o título de Cidadã Jundiaiense. Nascida em Amparo, adotou Jundiaí com sua terra natal.

Vestia-se com elegância da mesma maneira em que escrevia. A prova estava em suas roupas sempre alinhadas e de gestos nobres. Era leve no humor. Costumava descontraída divertir-se e receber os amigos.

Nossa última reunião acadêmica aconteceu há 15 dias. Lá no púlpito, Sônia derramava palavras com inteligência e sabedoria. Mantinha um impressionante sorriso.

A moléstia que costuma derrubar física e moralmente os seus portadores, não a perturbou. Continuou na ativa até seu último dia. Seu traço pessoal que mais se destacava era o amor à vida e às palavras.

Uma figura admirável. Perdemos uma carinhosa poetisa. Os íntimos perderam uma excelente amiga. A Academia de Letras perdeu uma das sua maiores referências. Meus pêsames ao Araken Martinho, seu querido marido, e a todos seus familiares.

Guaraci Alvarenga é advogado
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