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Intolerância eleitoral

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10 de outubro de 2018
Por Kelly Galbieri

Não sou tão velha assim e nem tenho experiência política que me qualifique para dar palpite no cenário político local ou nacional, mas arrisco dizer que nunca vi ou vivi nada semelhante ao que ocorreu nas eleições do último domingo (7) e penso no que virá até o próximo dia 28.

Acostumada a ver a intolerância sexual, religiosa, racial, passei a enxergar a intolerância de amigos, família e até conhecidos (pouco conhecidos, às vezes) em relação ao candidato que escolhemos; ou não escolhemos.

Engraçado como somos quase “obrigados” a votar em quem a maioria vota. Ou então como somos vistos como “extensão” da pessoa que nos rodeia: ou seja, se meu pai, minha mãe, minha filha, meu marido, minha esposa votam, eu OBVIAMENTE voto no/a mesmo/a candidato/a. Mas NÃOOOOOOOOOOOOOOO!

Cada um vota em quem quiser. E se quiser votar. Isto é o que chamamos de Democracia.

Li que um senhor de 63 anos de idade, líder religioso que combatia a intolerância religiosa, foi morto após uma discussão sobre política depois da eleição. Falavam sobre a divergência do candidato de um e de outro. Este levou doze facadas. Custo a acreditar na falta de tolerância. Ao mesmo tempo, não custo a acreditar na falta de tolerância. Afinal vivo isso diariamente.

Me cobram uma posição, que, de verdade, não sinto que tenho obrigação de sair gritando. Só gostaria que entendessem que sou UMA pessoa. Uma única pessoa. Não sou a esposa de X, a funcionária de Y, a mãe de Z, a irmã de A, a filha de B, a amiga de C etc. Sou a pessoa tal, que tem as suas convicções e espero ser respeitada por isso.

Não acho que tenho que abandonar meu marido, meus filhos, meus amigos, meu trabalho, meu país porque os outros pensam diferente de mim. Eu consigo respeitar os ideais e as crenças de cada um deles. Então por que cargas d’água não conseguem respeitar os meus?

Só espero que compreendam que não posso assinar embaixo de propostas que ignorem ou desprezem a existência da minha filha, do meu amor maior. Minha filha e sua esposa têm direito às políticas públicas, assim como eu e minha outra filha. E não vou aceitar nada menos que isso.

Portanto, embora já tenha perdido uma amizade de 30 anos por conta da intolerância eleitoral, espero, de todo coração, que tenha sido a única. E que dia 29 de outubro chegue logo para que ninguém mais tente convencer ninguém que o seu candidato é melhor que o outro.

Que vença o Estado Democrático de Direito!

Kelly Galbieri é advogada
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