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Panela de expressão

Jundiaqui
2 de maio de 2021
Pelo chef Manuel Alves Filho

Por diversas vezes, afirmei aqui e em outros espaços que, para mim, cozinhar não é um ato de amor e nem de paixão, como dez entre dez pessoas afirmam. Embora os dois sentimentos sejam nobres e essenciais, eles são insuficientes para dar conta de traduzir o meu compromisso com a gastronomia. Afinal, tanto o amor quanto a paixão podem acabar ou sofrer mudanças.

Assim, considero que cozinhar é acima de tudo uma forma de expressão. É a maneira como me relaciono com as pessoas e assinalo meu lugar no mundo.

No limite, e a título de hipótese, uma pessoa pode passar pela vida sem experimentar o amor e a paixão, mas não pode fazê-lo sem se expressar, ainda que seja somente pelo olhar perdido ou pelo gesto contido.

Às vezes, quando cozinho, me imagino na situação do pintor que, extasiado e desafiado diante da tela branca, busca na composição das cores e nas possibilidades das formas a manifestação mais genuína do seu estado de ser.

Não, cozinhar não é ato de amor, não é representação de arte, não é apreço por servir, não é lugar de criatividade, não é ofício de dor e prazer. Cozinhar é tudo isso elevado à enésima potência, com pitadas de beleza, sonho, desespero e salvação!

Pena que nunca se diga isso nos cursos de gastronomia.
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