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2h46 de fila por 35,7 litros de álcool. E foi um alívio

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30 de maio de 2018
Filas quilométricas seguem nos postos de Jundiaí nesta véspera de feriadão

Edu Cerioni

Vida que segue... Mas não a normal ainda. Para abastecer, encarei uma fila de 2h46 minutos no Posto Robertão nesta quarta-feira (30). Depois, aproveitei pra passar no supermercado e vi produtos faltando de monte. Tem pouco movimento nas ruas, os pontos de ônibus seguem cheios, a criançada sem aulas está por todo lado. Pelo que sinto, a vida vai seguir mesmo seu rumo normal só na segunda-feira (4), depois do feriadão prolongado de Corpus Christ. Ou seja, uma quinzena se foi por conta da greve dos caminhoneiros - justa e que mostrou vivermos no país do desgoverno.

Depois de uma semana exatamente sem abastecer meu carro, resolvi encarar a fila no posto. E que fila! Foram ruas e mais ruas da Vila Helena até chegar ao bico e poder colocar exatos R$ 100,00. Optei pelo álcool, a R$ 2,799 o litro, um total de 35,7 litros. Na gasolina esse dinheiro iria render cerca de 24 litros. E que alívio quando chega a sua vez e ninguém diz que acabou.

Minha jornada começou às 11h45 na rua Pedro de Carvalho. Passei pela Floriano Giglioli, Dr. Adriano de Oliveira, Serra Negra, Buenos Aires, Antonio Aiello Filho e Suíça, até a chegada na avenida 14 de Dezembro no posto Ipiranga. Pergunta lá quanta gente ficou atrás de mim - espero que tenha combustível para todos. Isso foi às 14h31.

Nesse tempo todo, deu para acabar a bateria do celular e ainda ler 45 páginas da revista "Super Interessante", uma parceira e tanto pelo caminho. Rolou conversas com motoristas na frente e atrás, teve sufoco para manobrar e abrir caminho aos moradores que saiam de carro em ruas apertadas, teve vendedores ambulantes que se deram bem. "É 2 água gelada, é 2 o pururuca".

Pensei muito em amigos como o Roberto e o Arnaldo que optaram pela bike e estão isentos da crise de abastecimento. Mas refleti sobre uma Jundiaí cheia de subidas que não me anima a encarar as pedaladas.

Guardas municipais e "amarelinhos" (ou seriam "verdinhos" agora com o novo uniforme?) ajudaram a organizar a fila para que os furões não trouxessem problemas. Não vi nada de ruim. Vi muita gente empurrando o carro para evitar o liga e desliga, mas a maioria seguiu o fluxo sem lamentar. Formou-se rodinhas de conversa e o papo era sempre o mesmo: como chegamos a tal ponto.

Como andei muito a pé, vi filas em postos nos últimos dias e imaginava o que levou aquela pessoa a ficar ali tanto tempo. Eu quero ir para Bom Jesus de Pirapora neste Corpus Christ e foi isso que me motivou. Outros queriam trabalhar, ter a segurança de que poderiam sair de casa numa emergência, enfim, cada um é cada um. A dica: se você tem combustível e não vai longe, dá um tempo para que as filas diminuam. Outra possibilidade é ir com paciência e encarar algo novo nestes últimos vinte ou trinta anos de Brasil.

Depois de dez dias de protestos, estradas estão sendo todas liberadas pelos caminhoneiros. O jeito é curtir o feriado prolongado em família e na segunda correr atrás do prejuízo.



 

 

 
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