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Médica Telma Guarisi ajuda a esclarecer dúvidas sobre coronavírus pelo Face

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31 de março de 2020
Ginecologista e obstetra vem conversando especialmente com as grávidas de Jundiaí

Edu Cerioni

Ficar em casa sim. Parto domiciliar, não! Essa são duas das respostas mais comuns que a ginecologista e obstetra Telma Guarisi vem dando em tempos de coronavírus. Ela postou em seu Facebook a possibilidade de oferecer orientações e muita gente vem recorrendo a seus conhecimentos para se acalmar e, especialmente, se proteger.

"Dei aulas durante 16 anos na Faculdade de Medicina de Jundiaí, tenho consultório há 28 anos e digo que também estou aprendendo com essa situação que é inédita na história", conta a jundiaiense. "Eu mesma só vou trabalhar e volto para casa, o isolamento social é a melhor coisa que podemos fazer neste momento. No começo do mês tive uma gripe chata e me recolhi por completo".

Dra. Telma, que tem doutorado pela Unicamp, fez um parto nos últimos dias e lembra que a ideia inicial era que fosse em São Paulo, mas na conversa com a paciente optaram por Jundiaí, onde a propagação do vírus ainda parece estar mais controlada. "Nesta próxima quinta tem outro programado, e ela não pode ter parto normal por conta de uma pequena alteração no coração. Já decidimos que será em São Paulo, por ser em uma maternidade, é exclusiva para isso, então teoricamente o risco é muito menor", diz.

O parto domiciliar que muitas mulheres estão querendo por conta da pandemia não é o ideal na visão da jundiaiense. "Minhas pacientes já sabem minha opinião, é um risco, porque se o parto domiciliar se complicar, é uma complicação pra valer". Sobre essa questão de parto domiciliar, o ginecologista Ricardo Tedesco, professor de obstetrícia da FMJ, disse ao site da "BBC Brasil": "Não sou favorável, por considerá-lo de mais risco. Acho que, quando se coloca na balança essa alternativa frente à possibilidade de um serviço comprometido, com uma demanda grande por causa do coronavírus, ainda assim o serviço hospitalar é melhor."

Com relação a essa paciente de 2 de abril, a médica conta que vem conversando muito porque o esquema de visitas nos hospitais mudou e ela terá que contar apenas com um acompanhante, ou seja, não poderá receber visitas nem da família e isso inclui o filho que tem apenas 2 anos. "Digo a ela: imagine a angústia e pressão que estão passando os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao vírus. É um momento excepcional e que exige sacrifícios de todos, mas que vai passar e sairemos sem duvida melhores do que entramos ". Uma dessas da linha de frente é sua irmã, a médica Renata Guarisi, que atua como ginecologia no Ambulatório de Saúde da Mulher da Prefeitura de Jundiaí.

Aos 55 anos, Telma já viveu outros momentos complicados para a saúde pública, embora esse seja diferente, "ímpar". Relembrou dias de muita tensão quando da explosão dos casos de Aids no país, época de estudante e na qual chegavam a atender até 20 pacientes por dia, sem as condições ideais de proteção durante sua residência na Casa Maternal, em São Paulo. "Era uma maternidade pública localizada no Tatuapé, entre a Febem e presídio feminino. Fiz partos até em paciente HIV positiva dentro do carro da polícia e de táxis e sem tempo sequer de colocar luvas".

Hoje há mais informação e meios de se proteger, assegura. "Falo com pacientes que são estudantes de Medicina, por exemplo, e cujas famílias estão muito preocupadas, que proteção vem com precaução". Para ela, esse momento exige saber lavar as mãos com água e sabão muitas vezes ao dia, associada ao uso de álcool em gel, o que vale para todos. Para profissionais da saúde, os EPIs são outros aliados fundamentais. "Todo dia tem novidade, mas nada que derrube essas certezas".

Dra. Telma, com consultório na avenida 9 de Julho, completa: "Nem em filme imaginei ser possível viver uma situação dessas, mas sigo como sempre, sou uma pessoa otimista. A gente vive num país realmente abençoado, de um lado cheio problemas sim e de outro que ganhou a chance de aprender como encarar a Covid-19 com os países que já passaram por isso. E parece, pelo menos essa é a impressão até agora, estar mais tranquilo aqui porque tomamos medidas antes dos demais, a mais importante e que ainda está valendo: ficar em casa".

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