Jundiaqui
Jundiaqui

asdfg (espaço) asdfg (espaço) asdfg…

Jundiaqui
20 de outubro de 2019
Por Nelson Manzatto

asdfg (espaço) asdfg (espaço) asdfg e assim por diante, mas sempre repetido! E no dia seguinte, a mesma coisa!

Aula de datilografia com a professora Odete era assim: uma hora de aula por dia, todo final de tarde. Apenas dois alunos na sala: eu e minha irmã e as outras máquinas de datilografia vazias. Haviam quatro máquinas na sala.

Nos primeiros dias, a professora ficava na sala, orientando, acompanhando, vendo se o aluno não olhava o teclado. Mesmo com um pedaço de papelão sobre ele! Com o passar dos dias, ela dava o exercício e ia preparar o jantar… Da sala, a gente sentia o cheiro de comida! E isso tudo no começo da década de 1960, pensando em trabalhar…

Em Jundiaí haviam, com certeza, diversos cursos de datilografia. Era necessário! Afinal, quem não sabia datilografia, não arrumava emprego. Me lembro de um, em frente à igreja de Vila Arens, mas não sei mais o nome. Havia a escola Remington, entre o Centro e a Ponte São João.

Mas pelo valor pago e pela quantidade de aulas, estava bom demais para a gente. E vamos lá: asdfg (espaço) asdfg (espaço). E muda a lição, vamos em frente: asdfg (espaço) hjklç (espaço) asdfg (espaço) hjklç… Lições se sucedendo, atenção nos detalhes para não perder uma informação e o teclado inteiro decorado… azsxdcfvgb… e assim vai… pulando teclas, misturando letras e formando palavras. Como se fosse no tempo do primário, onde se juntavam as letras e formávamos as palavras, aprendendo a ler e escrever…

Mas aqui, a gente já sabia estas duas últimas etapas. Faltava saber tudo do teclado e pronto: papelão que cobria as teclas era retirado… E as lições vão se complicando: tabulador, tecla para marcar tabulação, com tecla vermelha para alertar seu uso. Fixador de maiúscula, tirar e colocar papel, utilizar carbono, digitar cartas, cartas comerciais, cartas comuns… as datas, os “Prezado senhor:” E assim vai… O gostoso mesmo do curso era o momento dos testes de rapidez. Dona Odete marcava um minuto e dava a largada… datilografa, datilografa, datilografa.

“Pronto!” dizia ela. E não se podia mais mexer no teclado. “Um, dois, três, quatro… cento e vinte, cento e vinte e um… duzentos e trinta, duzentos e trinta e um… duzentos e setenta e sete, duzentos e setenta e oito… trezentos e um…” Era dona Odete contando quantos toques tinha o texto datilografado. Cheguei a passar dos trezentos e isso era recorde, dizia ela. Mas ficava brava quando apertava a tecla retrocesso para datilografar em cima! Dizia para não fazer isso, pois era importante não errar na hora de datilografar.

Curso encerrado, diploma na mão e esperando os 14 anos para buscar um emprego num escritório. Só que meu primeiro trabalho foi atrás do balcão de uma farmácia. E tive mais um momento difícil: aprender a aplicar injeção. Mas isso é uma outra história!

Nelson Manzatto é jornalista e escritor
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Menina de Jundiaí de 11 anos tem amor pelo Santos mostrado na TV

*Larissa fez sucesso ao entrar em campo e história foi parar no “Globo Esporte”

Silvio Gebram deu um chute na ‘mosca’; líder soma 12

Corretor de seguros somou pontos em 29 partidas da Copa, mas está longe de Thiago na classificação

Um giro pela Feira de Noivas

Até domingo, mais de 100 expositores estão esperando por quem sonha em casar no Maxi Shopping, com ofertas de ‘A’ a ‘Z’

Rei Momo e Rainha são velhos conhecidos do Carnaval

Thiago e Jéssica reassumem postos que já tiveram anos atrás
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.