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A música de Áureo Cardoso na Igreja de Vila Arens

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28 de setembro de 2019
Por  Nelson Manzatto

Minha convivência com Áureo Cardoso ocorreu durante as décadas de 1960 e 1970, na minha fase infantil e já adulta, mas tudo dentro da Igreja de Vila Arens. Neste período, fazíamos parte da Cruzada Eucarística Infantil que depois recebeu o nome de Juventude Cristã em Marcha. Comecei como criança, logo após a primeira comunhão, e Áureo já estava por lá, juntamente com sua esposa, dona Leonor. Ambos ligados à música, principalmente.

Áureo nunca frequentou uma escola de música, jamais conseguiu ler uma partitura por completo, mas tocava piano e acordeão como ninguém. Dentro de seu conhecimento musical, acabou sendo o responsável pela formação, já na segunda metade da década de 1970, do conhecido “G9”, grupo de cantores da paróquia e que se apresentava em solenidades especiais. Era “Grupo Nove”, simplesmente porque cada horário de missa de final de semana, tinha um número: duas missas no sábado à noite (18 e 19 horas), cinco nos domingos de manhã (5h30, 6h30, 7h30, 8h30, 9h30) e mais uma à noite (18 horas). O nove, portanto, era a escolha de integrantes de cada missa para compor o grupo especial. Chegamos a cantar até em latim, mas à custa de muitos ensaios e quatro vozes.

Áureo era dedicado e atencioso. Além disso, ouvia muito o que dona Leonor dizia, principalmente porque ele não tinha “leitura musical”, pois, como sempre dizia, “tocava de ouvido”, mesmo que isso fosse com as mãos… Muitos ensaios ocorriam em sua casa, graças ao piano que tinha e depois as vozes se juntavam para ensaios na Igreja.

Foi ele que me ajudou na juventude, quando deixei de trabalhar na farmácia: uma vez por semana ia à sua casa, para aprender a encadernar livros, manualmente. Naquele tempo, vendiam-se muitos fascículos nas bancas e depois era necessário encadernar tudo isso. Pacientemente me ensinou todos os passos. E acabei aprendendo este trabalho e que me rendeu alguns trocados.

Como presente de casamento de Áureo,recebi, eu e minha esposa Rita, a missa cantada na cerimônia. O “G9” esteve presente e cantou as melodias que escolhemos, inclusive a "Ave Maria".

Mas como a vida segue sempre em frente, acabamos nos separando quando me mudei para Campinas por conta de trabalho profissional e, quando voltei, frequentamos paróquias diferentes, o que nos manteve distantes até o dia em que me despedi dele no velório municipal. Antes, falara com ele quando dona Leonor partiu.

Áureo, além de entender tudo de música também trabalhou na igreja como ministro da Eucaristia e era o locutor oficial da Rádio Difusora, quando havia missas ou alguma outra celebração religiosa que tinha transmissão ao vivo por esta emissora. Rezava, explicava, comentava. Áureo foi assim um pouco de tudo, mas um conhecedor de muito!

Nelson Manzatto é jornalista

Foto: visão da Vila Arens a partir do Centro décadas atrás/Acervo Professor Maurício Ferreira-Sebo Jundiaí

 
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