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Jundiaqui

 A dama da voz agora é só saudade
3 de outubro de 2026

A dama da voz agora é só saudade

Por Edu Cerioni – De certo existiram e vão surgir vozes mais bonitas, me pego agora pensando e acho que… sim, só que essa eu nunca esquecerei. Zé Danon me contou quando escrevi o livro do Refogado do Sandi que o “Erazê era bom de ouvido e tinha cabeça boa para as músicas, só que sempre foi durão no violão, só tocava em lá maior, fazendo a Cacilda esganiçar ou apelar para o vozeirão e ela sempre deu conta do recado”.  Não tenho dúvidas de que Cacilda marcou a história da música jundiaiense.

O primeiro samba do Refogado, isso em 1994, ano de seu surgimento, foi gravado “ao vivo” por Cacilda, com as fitas k7 vendidas no Bar Sandi. E saíram aos montes.

Cacilda Rezzaghi Romero, a rainha de 1999, amava Erazê, mas punha limites a ele, pelo menos tentava. Ela me explicou certa vez essa história da coroação: “Simplesmente abdiquei de ser rainha, nem sei se colocaram outra em meu lugar. Estávamos no Sandi e fui eleita, saímos e fomos para o Mercadão e já veio gente gritar ‘viva a rainha’. Aquilo me encheu e horas depois de escolhida já tinha avisado ao Erazê que não queria mais, meu negócio era outro, só queria cantar”. E como cantou bonito!

Foi dona do Birinigths e deu show no 88 Piano’s Bar, Chico’s Bar, Pixinguinha, Carinhoso, Alameda… vá lembrando nomes de antigos bares e saiba que Cacilda cantou e encantou ali. “Inaugurei todos os bares do Anibal”, me disse. Gostava de interpretar canções de Cartola e Nelson Cavaquinho, sempre acompanhada do pandeiro esperto de Iólice, seu marido que faleceu anos atrás, o violão de Carlão e o no ritmo do Paulinho.

Perguntei a ela para o livro do Refogado, que se chama “Infinita é tua Beleza”, se Erazê era bom músico, ela assegurou que era ótimo compositor. “Malemá arranhava o violão, mas sabia cantar e tinha uma grande inspiração para as letras”. Uma dessas letras a tocou profundamente, isso em 2002, quando a cantora foi a homenageada do bloco e desta vez não teve jeito, acabou se jogando de cabeça, coração e alma no desfile – ela sempre preferiu ficar observando a folia de algum lugar em calçada da Barão de Jundiaí e depois Rosário.

O samba daquele ano foi “Cacilda, Nossa Fascinação”, que dizia “Vem, oh Refogado/Mostre para Jundiaí/Um tempo encantado/Que existiu aqui/E pra que a lembrança/Risonha nunca se apague/Surge num palco de sonho/Nossa estrela Cacilda Rezzaghi//Quanto tempo faz e eu ainda não esqueci a tua voz/Canta teu cantar, beleza infinda/Canta pra gente, encanta a todos nós”.

Ela assegurou: “Aí eu gostei, sempre defendi que as pessoas sejam homenageadas em vida, porque depois que morre já era”. Cacilda morreu aos 90 anos nesta sexta-feira, 2 de outubro, ela que cantava desde criança e até o fim da vida brilhou. E estava enganada, por ser inesquecível!

Mais de “Cacilda, Nossa Fascinação”, de Erazê, Ketty Danon e Zé Danon: “Quanto tempo faz e eu ainda não esqueci a tua voz/Canta teu cantar, beleza infinda…”

         

Fotos de diferentes anos e festas que Cacilda participou, registros de José Clóvis Tomazzoni de Oliveira, o Pardal, e meus.

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Até logo estrela da festa!…

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