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O caos do fim de governo

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28 de maio de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

O governo-tampão de Michel Temer, um dos mais impopulares da história brasileira, durou praticamente dois anos e “acabou” no dia 28 de maio de 2018.

Faltando 232 dias para a data oficial de eleição de presidente, governadores, deputados federais e estaduais e senadores, o nível do descrédito do sistema político atingiu uma proporção inédita.

Temer era um dos articuladores como vice-presidente do chamado “golpe parlamentar” que resultou da mobilização que em 2015 e 2016 organizou a destituição de Dilma Rousseff em “impeachment” estimulado pela recessão econômica iniciada em 2013 e ampliada no ano seguinte pela Operação Lava Jato.

O mesmo Congresso Nacional eleito em 2014, entretanto, impediu por duas vezes uma investigação da Justiça sobre o atual presidente.

Sem convencer a população com os números oficiais de recuperação da economia, a política de ajustes diários nos preços de combustíveis da Petrobrás embasou a versão popular de que os brasileiros estavam sendo cobrados pelos danos da corrupção na empresa estatal no lugar dos irreais privilégios de políticos e de governo que foram mantidos.

A paralisação nacional de caminhoneiros - que completou uma semana nessa data - recebeu apoio de outros setores e da maioria da população do país. Pelo menos até o caos se aprofundar, suspendendo praticamente todas as atividades econômicas e os já precários serviços públicos.

A solidariedade entre pessoas e o bom senso de gestores privados ou públicos em muitos casos evitaram um cenário ainda pior. Mas faltam líderes para organizar um diálogo entre quem defende o fim dos abusos nas instituições e a reorganização dos direitos sociais em uma retomada econômica.

A atitude extrema, à direita, tem sido um “plano B” de manifestações por intervenção militar. No lado oposto, à esquerda, tem sido a tecla do direito de concorrer do ex-presidente que lidera as pesquisas, mas está preso. E entre ambos uma série de nomes com opiniões variadas.

Como já registrado em outros países, as redes sociais carregam em alguns momentos as suspeitas de uso dos chamados robôs de multiplicação de mensagens.

O cenário por vezes lembra as jornadas de junho de 2013, quando as ruas em todo o país foram tomadas por jovens em protestos “contra tudo”. Em outras vezes, o histórico das manifestações do início de 1964, antes do golpe militar e civil. Mas é 2018.

Mesmo assim, nas ruas da Barreira, há quem ainda transforme a situação em tiradas de humor. “Isso que dá colocar parente no governo”, diz um, em referência à Petrobrás. Outro acrescenta que descobrir político safado é simples porque “entra de mansinho e sai de mansão”. Fora os memes virtuais.

O sistema político deve encontrar meios de se reorganizar para evitar o fim. Mas é preciso dar respostas imediatas ao povo (não apenas mídia) e, se der certo, propostas sensatas durante a campanha (não apenas promessas).

Aos brasileiros comuns e desencantados, resta a questão: como fazer sua parte para novamente buscar uma mudança que seja para melhor?

José Arnaldo de Oliveira é graduado em Ciências Sociais (UNICAMP), foi repórter de jornalismo impresso e atuou em projetos públicos e de organizações não-governamentais nas áreas de ambiente, cultura, educação e urbanismo
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